sábado, 13 de setembro de 2014

EUA declaram guerra contra estado islâmico

Casa Branca declara oficialmente que EUA estão 'em guerra contra o EI'
Porta-voz do Pentágono divulgou mensagem adotando o mesmo termo. Em pronunciamento, Obama havia falado em 'operação antiterrorista'.

A Casa Branca declarou nesta sexta-feira que os Estados Unidos estão em guerra contra os jihadistas do Estado Islâmico (EI), em uma tentativa de solucionar um deslize semântico sobre a estratégia anunciada na quarta-feira 10 de setembro, pelo presidente obama

Em sua viagem pelo Oriente Médio para tentar formar a maior coalizão possível contra o EI, o secretário de Estado John Kerry pareceu hesitar em usar o termo "guerra" para classificar a amplitude das operações americanas contra os jihadistas na Síria e no Iraque.

No entanto, nesta sexta (12) o Pentágono e a Casa Branca não deixaram dúvidas sobre a maneira como entendem o conflito.

"Os Estados Unidos estão em guerra contra o EI da mesma maneira que estamos em guerra contra a Al-Qaeda e seus aliados em todo o mundo", declarou o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, durante sua entrevista coletiva à imprensa diária.

Uma mensagem muito parecida foi dada pelo porta-voz do Pentágono, o contra-almirante John Kirby.

Obama anunciou na quarta-feira que seu governo está preparado para combater o EI onde quer que esteja, e se comprometeu a treinar e armar grupos da oposição na Síria, aumentando também a cooperação militar com o governo do Iraque.

Em entrevista concedida à rede CBS na quinta-feira, Kerry disse que preferia falar de uma "operação antiterrorista de grande escala".

"Acredito que 'guerra' seja a terminologia e a analogia errada, mas o fato é que estamos comprometidos com um esforço mundial significativo para conter a atividade terrorista", declarou.

Esta disputa em torno dos termos a serem usados pode parecer trivial no momento em que aviões e drones americanos já fizeram mais de 160 ataques contra o EI no Iraque desde agosto.

No entanto, ela é sinal de que a administração continua sendo muito prudente diante de uma opinião pública cansada após anos de luta contra os islamitas no Iraque e no Afeganistão.

Conheça o Estado Islâmico, grupo radical com milhares de combatentes
Insurgentes surgiram a partir de braço iraquiano da al-Qaeda. Eles lançaram ofensiva no norte do Iraque, dominando cidades e províncias.

Fundação
O EI surgiu a partir do Estado Islâmico no Iraque, o braço iraquiano da Al - Qaeda dirigido por Abu Bakr al-Bagdadi. Em abril de 2013, Bagdadi anunciou que o Estado Islâmico do Iraque e a Frente Al-Nosra, um grupo jihadista presente na Siria, se fundiriam para se converter no Estado Islâmico do Iraque e Levante.

Mas a Al-Nosra negou-se a aderir a este movimento e os dois grupos começaram a agir separadamente até o início, em janeiro de 2014, de uma guerra entre eles.

O EI contesta abertamente a autoridade do chefe da Al-Qaeda, Ayman al-Zawahiri, e rejeitou seu pedido de que se concentre no Iraque e deixe a Síria para a Al-Nosra.

Efetivos
Charles Lister, pesquisador do Brookings Doha Centre, estima que o EI tenha entre 5 mil e 6 mil combatentes no Iraque e entre 6 mil e 7 mil na Síria.

Estes números não podem ser confirmados por outras fontes.

Nacionalidades
Na Síria, a maioria dos combatentes em terra são sírios, mas seus comandantes costumam chegar do exterior e lutaram em Iraque, Chechênia, Afeganistão  e em outras frentes. No Iraque, a maioria dos combatentes são iraquianos.

Segundo o islamólogo Romain Caillet, do Instituto francês de Oriente Médio, muitos de seus chefes militares são iraquianos ou líbios, enquanto os líderes religiosos são sauditas ou tunisianos.

O EI também conta com centenas de combatentes francófonos, como franceses, belgas e magrebinos.

Ideologia
O EI nunca jurou lealdade ao chefe da Al-Qaeda, mas o grupo defende o mesmo tipo de ideologia jihadista e anunciou ter instaurado um Estado Islâmico em uma região situada entre a Síria e o Iraque.

Padrinhos
O EI não parece contar com o apoio de nenhum Estado e, segundo os analistas, recebe a maior parte de seus fundos de doadores individuais, em sua maioria oriundos do Golfo Pérsico. No Iraque, o grupo também depende de personalidades tribais locais.

Presença
O EI tomou em janeiro, junto com outros grupos insurgentes, o controle de Fallujah e de setores de Ramadi, a oeste de Bagdá 

Na Síria é considerado a força combatente mais eficaz contra o regime do presidente Bashar Al- Assad

Mas depois de ter sido acolhido favoravelmente por alguns rebeldes sírios, acabou pegando em armas contra eles.

Esta mudança se deveu a sua vontade hegemônica e às atrocidades que são atribuídas ao grupo, sobretudo o sequestro e a execução de civis e de rebeldes de movimentos rivais.

Nenhum comentário:

Postar um comentário